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Simulado da ONU ensina cultura e geopolítica de forma lúdica

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

O Projeto de Ensino “Simulação da Assembleia Geral da ONU – IFC Araquari” teve sua segunda edição no dia 23 de outubro de 2019. Através de uma perspectiva lúdica e interdisciplinar, o objetivo desta atividade é dar aos estudantes a ideia do funcionamento da Assembleia das Nações Unidas; para isso se propõe um debate entre os grupos participantes, o que leva também à compreensão de diferentes aspectos culturais e do jogo geopolítico das nações em volta do globo.

Já em sua segunda edição no campus, o Simulado tem se mostrado uma excelente ferramenta de integração interdisciplinar. O entrelaçamento entre as disciplinas acontece como: 

  1. Língua Portuguesa e Matemática: colaboram na análise e construção dos discursos; 
  2. Artes e Educação física: contribuem nas apresentações culturais; 
  3. Geografia, História, Filosofia e Sociologia: embasam as pesquisas dos contextos socioeconômicos dos países; 
  4. Produtos Agroindustriais, Língua Espanhola e Língua Inglesa: cooperaram no Desafio Gastronômico e nas apresentações culturais.

Em 2019 estiveram representados 21 países durante a atividade. Para isso, foram divididos em grupos os mais de 230 estudantes, de sete diferentes turmas do 2° ano do Ensino Médio Integrado. Os estudantes tinham como meta debater sobre alguns temas circulantes na política externa atualmente: 

  1. Guerras Comerciais;
  2. Conflitos Territoriais;
  3. Guerra às Drogas e Direitos Humanos;
  4. Mudanças Climáticas. 

Para o desenvolvimento da atividade, o trabalho em equipe foi fundamental, visto que cada grupo tinha que elaborar o discurso do seu país, preparar-se para o debate contra o seu “oponente” e ainda organizar uma apresentação cultural ou participar do Desafio Gastronômico. De acordo com a estudante Alanys Borges Trevisol, do curso de química, “nós precisamos trabalhar em equipe para que dê tudo certo, é preciso ter paciência e envolver todos os pensamentos, é cansativo, mas aprendemos que toda opinião construtiva é bem-vinda”.

A dinâmica do Simulado

O Simulado iniciou com a tradicional abertura do Brasil com o discurso intitulado “Soberania nacional acima de tudo“. Este logo foi seguido dos debates entre os países – eles estavam separados em blocos com relação aos temas, intercalando com apresentações culturais. Já no momento do intervalo para almoço, ocorreu o desafio gastronômico com comidas típicas dos países representados.

Confiram o resumo dos debates e temáticas discutidas (em negrito o país vencedor no “duelo bilateral”): 

Bloco 1: Guerras Comerciais (EUA x China; Irã x Arábia Saudita; Brasil x França)

Bloco 2: Separatismo e Conflitos Territoriais (Paquistão x Índia; Saara Ocidental x Marrocos; Curdistão x Turquia; Catalunha x Espanha – empate).

Bloco 3: Guerra às Drogas (Colômbia x Holanda; Uruguai x Indonésia; Canadá  x Filipinas)

Bloco 4: Mudanças Climáticas (Discurso do Kiribati e debate franco entre os países sobre o Acordo de Paris e proposições de resolução do problema).

A dinâmica para as apresentações, intercalando com outras atividades e a descontração dos docentes, promove a integração dos estudantes e torna este um momento de aprendizado com diversão. Provas do quanto é especial a atividade são vistas em reações como o da aluna da agropecuária, Bruna Suelen Pereira, que exclamou “Foi top top, incrível o quanto os professores se empolgam e entram realmente no personagem, eles dão descontração e acalmam o nervosismo que alguns alunos sentem para apresentar. Incrível o quanto todos os alunos se empolgaram e estudaram sobre seu país”.

Na avaliação do evento, realizada com todos os estudantes participantes, é notável a quantidade de vezes que a palavra “incrível” surgiu, demonstrando a avaliação positiva quanto ao que vem sendo realizado. Com destaque também para a ação dos professores durante as apresentações, “Foi divertidíssimo a interação dos professores, eles faziam graça no meio das apresentações; os debates são sempre uma fonte grande de aprendizado de muitas formas, tanto de pesquisa, de responsabilidade, falar em público, etc”, explicou a estudante Bruna Löeffler. Já a estudante da 2agro1 Mahyara Luiza dos Santos, achou um jeito irônico de elogiar o simulado que marcou o seu segundo ano do Ensino Médio: “O simulado foi incrível, superando todas as expectativas, dá vontade de reprovar de ano só pra fazer novamente!”.

A ideia do evento é incentivar os jovens a conhecerem mais sobre educação, cultura e os processos de tomada de decisão em grandes organizações internacionais. Neste sentido, cabe destacar um resumo de alguns depoimentos dos discentes participantes do projeto:

  • Aprendi sobre política e seus debates. Estudar a fundo temas políticos, que muitas vezes lemos distorcidos em notícias, foi um grande aprendizado pra mim. Foi ótimo também levar isso a um debate depois, entendendo maneiras de persuasão e de convencimento (Guilherme Ribeiro – Informática).
  • A experiência da ONU foi uma das melhores que já vivenciei no Instituto. Consegui superar um pouco do nervosismo em frente a outras pessoas e também consegui desenvolver um pensamento mais crítico sobre o que acontece ao redor do mundo (Lucas Eduardo Vollmann Monteiro – Informática).
  • Um país estar certo e outro errado é algo bem difícil de escolher, na verdade ambos podem estar errados, cada país tem seu ponto de vista, seus costumes e pensamentos. Política é algo imenso, antes deste simulado política para mim era limitado à nossa presidência; mas lá fora se discutem assuntos relevantes para vários países, há lugares onde decisões complicadas são tomadas. Isso foi muito interessante pra mim (Anderson Schmoeller Marcolino – Informática).

No Simulado, os docentes do IFC Araquari também entram na brincadeira e simulam o Conselho de Segurança da ONU, avaliando e deliberando de modo interativo com os estudantes as resoluções a serem tomadas sobre cada tema. Além disso, alguns professores ainda criaram perfis no Twitter para interagir, junto com os alunos, sobre os temas debatidos na assembleia geral, com disse a estudante Ana Clara Valentim “a interação dos professores com os alunos pelo Twitter foi maravilhosa e nos fez aprender sobre os conflitos de maneira diferente e divertida”. 

Os professores de Geografia do campus e organizadores gerais do evento, Edvanderson Ramalho dos Santos e Daniel Freitas, destacaram que o objetivo da atividade foi concluído com sucesso: “Foi lindo perceber que os discentes desfrutaram da atividade e aprenderam de um modo alternativo, fora da sala de aula e com muita diversão. Eles pesquisaram a fundo os temas, resultando em debates de alto nível. Nas apresentações culturais foram só surpresas positivas, uma atrás da outra. E, ao final, no questionário de autoavaliação, muitos perceberam a complexidade dos assuntos geopolíticos. Assim, muitos desenvolveram sua capacidade de alteridade e tolerância cultural”.

Como bem expressou Mariana Barcellos Bueno, do segundo ano do curso de Química: “Tolerância cultural também foi um aprendizado bastante importante, assim como perceber que diferentes países, com diferentes culturas, possuem, além de políticas muito distantes, uma ética por trás de cada uma delas, com um fundo de contexto histórico até que justificável… Assim, não há nenhuma verdade universal; qualquer coisa que se aproxime disso apenas representa uma visão muito ocidental da moral em questão”.

Para 2020, a 3° edição do Simulado das Nações Unidas no IFC Araquari já está confirmada. Agora, o grande objetivo é, em parceria com outros docentes da disciplina de Geografia do Instituto Federal Catarinense, realizar um evento regional intercampi, este que seria palco de uma excelente integração e fértil campo de construção de conhecimento entre os estudantes da instituição.

Texto: CECOM/Araquari

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